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Onde Pescar

Amazônia – Rio Igapó-Açu


Foto 1 – Vista do acampamento de cabanas flutuantes as margens do Igapó-Açu

Desde que comecei a pescar, um peixe mudou para mim a pesca esportiva. Esse peixe é o tucunaré. Foi o primeiro peixe esportivo que pesquei ainda na minha infância no lago Paranoá em Brasília. Naquela época pescávamos tucunarés azuis e amarelos com pequenos carás ou então filés de tilápia como isca. Bom, então não preciso nem falar de como sempre tive vontade de pescar os gigantes Amazônicos, os tucunarés Açu (cichla temensis). O mais próximo que tinha chegado era pescá-los na represa do Castanhão no Ceará, claro lá pegar um exemplar acima dos 5kg não é nada fácil, mesmo sabendo que eles existem inclusive com um exemplar de 11.8kg capturado ainda no ano de 2012. Bom, já havia lido muito sobre a pesca na Amazônia e a preocupação de pegar o famoso repiquete (subida rápida das águas,) situação que mexe com o metabolismo dos peixes e o tucunaré entra mata adentro, ficando muito mais difícil a sua captura principalmente com iscas artificiais. Esse ano, parecia estar tudo certo, o ano anterior tinha sido um ano de cheia recorde e para outubro as águas pareciam estar baixando rapidamente e então a chance de fazer uma boa pescaria era grande. Outro fator que me fez refletir muito seria que tipo de operação iria escolher já que hoje são diversas operações de pesca entre pousadas, barco hotel e flutuantes. Meu sócio Cezinha proprietário da agência CobrasPesca deu a dica uma operação de donos Uruguaios que até o momento só trabalhava com estrangeiros (principalmente os Americanos), mas que ele estaria formando um grupo. Qual seria o grande diferencial? Pesca em reserva indígena exclusiva com base em um acampamento de cabines flutuantes! Bom, não precisou de muito convencimento e eu já estava vendido, seria essa minha primeira aventura na região da Amazônia, com o objetivo de quebrar meu recorde pessoal de 5kg pego na represa do Castanhão. Preparei toda a tralha e chegou o dia da viagem. Nossa saída seria de Porto Alegre com destino a Manaus, onde faríamos um pernoite no famoso hotel Tropical. Um hotel com estilo colonial e muito bonito.

O hotel está localizando perto do aeroporto de fácil acesso. Possui um mini-zoo com onça e capivaras e também a parte da piscina é rodeada com um tanque raso onde tambaquis e matrixam nadam na flor da água. Dizem que até açu tem mas não conseguir avistá-los.




Fotos 2,3,4 e 5 – Hotel tropical além de muito bonito ainda conta com atrações do mini-zoo.

Chegamos a tempo de almoçar e aproveitar a tarde na piscina tomando aquela cerveja gelada. Jantamos no hotel mesmo e fomos dormir porque, no dia seguinte, a viagem até o pesqueiro nos esperava. Logo cedo pegamos um transfer até o aeroporto doméstico para embarcarmos em um voo até a cidade de Borba. Tivemos que esperar 45 minutos dentro do pequeno bandeirante porque só uma pista estava autorizada para pousos e decolagem. Depois da demora saímos em direção a Borba. A vista aérea da mata é fantástica, lá de cima realmente só se vê mata fechada e rios. Devido ao tempo instável, pegamos bastante turbulência e para quem não esta acostumado a voar na Amazônia o susto é grande! Mas felizmente chegamos bem a Borba, em seguida um curto translado até a beira do rio Madeira onde uma espaçosa lancha rápida (motor Suzuki 300hp) nos esperava para fazer o percurso em direção ao nosso pesqueiro.


Foto 6 – Avião bandeirantes que faz o trajeto Manaus-Borba-Manaus.


Foto 7 – Vista área do rio Madeira (águas barrentas) e a selva fechada.

A previsão de viagem era de 3.5 horas, saímos navegando no rio Madeira, depois passamos pelo Madeirinha (afluente do Madeira) até entramos no nosso rio de pesca o Igapó-Açu. Interessante à diferença de cor da água do Madeira (cor bastante barrenta) para o Igapó-Açu rio de água escura e bem transparente. Devido ao atraso, chegamos em torno das 16:00 no acampamento. Não preciso nem dizer que fui montar as varas e sair para pescar direto. Não foi preciso mais de 5 minutos de viagem para que pudéssemos começar a arremessar nossas iscas. Assim que chegamos vimos a ação dos tucunarés comendo encostados à margem.


Foto 8 – Lancha rápida que faz o trajeto para o pesqueiro. Poltronas bastante confortáveis.

Fiquei bobo porque mesmo trabalhando algumas iscas de superfície, não entraram. Resolvemos tentar outro ponto na pauleira e foi com jigs, que tanto eu como o Bruno, meu amigo de infância, que fizemos as primeiras capturas de exemplares pacas. Mesmo sendo de 1kg a briga já mostrou todo o potencial da forças dos tucunarés Açu! Pegamos mais alguns exemplares e ai resolvi então estrear uma rip roller (isca de hélice) 6.5 polegadas na cor “Peacock” não foi preciso trabalhar muito para um paca de aproximadamente 2.5 kg fazer uma ataque daqueles para ficar na memória. Tarde terminando hora de voltar para o acampamento para descansar e saborear um bom jantar.


Foto 9 – Tucunaré Açu na isca de superfície Rip Roller cor Peakcok


Foto 10 – Exemplar capturado no jig cor vermelho com amarelo.

Depois de jogar a conversa fora hora de dormir para acordar cedo e enfrentar o primeiro dia completo de pescaria. As 5:15 os guias já estavam acordando o grupo pois a partir das 6:00 já podíamos sair para pescar. Essa é outra vantagem da operação acaba-se aproveitando bem o dia já que a partir das 6:00 os guias já estão prontos. Café da manhã era servido no flutuante do restaurante e apesar de ser um café voltado para americanos com ovos, bacon e calabresa fritas (fica a sugestão de terem um café da manhã mais voltado para o público brasileiro com frutas e sucos tropicais) nos forneceu a energia necessária para o dia de arremesso que se sucederia. Com a ansiedade difícil de controlar saímos para pescar. Durante o dia pescamos em vários pontos com capturas diversas nem grande exemplar capturado mas vários peixes entre 1 e 3 kg. No primeiro dia resolvemos fazer um peixe na barranca do rio para aproveitar o local e não precisar voltar para o acampamento. Os guias preparam o peixe fresco na hora colocam redes para que os pescadores possam descansar e quem quer aproveitar para tomar banho no rio para se refrescar. O calor na Amazônia é muito intenso e por isso essencial a utilização de roupas próprias para a pesca com protetor UV e muito protetor solar, além claro de bons óculos de sol polarizados. Depois de comer um saboroso tucunaré na brasa e tomar um bebida gelada voltamos para a pesca. Tivemos várias ações na parte da tarde com mais capturas na superfície e na meia água. Notamos que o nível da água estava baixando rapidamente e lugares em que estivéramos na tarde anterior já estavam fora d’água. Impressiona a velocidade com que a água baixa, mesmo chovendo durante o dia. Voltamos ao acampamento com a quota de 32 peixes pegos naquele dia, satisfeitos com o primeiro dia de pesca. No acampamento, tivemos notícias de barcos que foram melhores e alguns piores, então estávamos dentro da média. Depois de um banho de chuveiro com água do rio na cabine e um descanso no ar condicionado (isso não tem preço!), fomos jantar. A comida era simples, porém com bom tempero. Faltaram bebidas melhores, tais como vinho e destilados. A sorte é que tínhamos levado algumas caixas de vinhos brancos e espumantes para ter certeza que não faltaria nada. Depois do jantar, era o momento para jogar conversa fora, antes de se recolher para podermos descansar e aproveitar mais um dia de pesca.


Foto 11 – Tucunaré assado na barranca do rio. Peixe fresco não tem comparação.

Os próximos dias passaram e optamos voltar para almoçar no acampamento, tomar um banho e ficar no ar condicionado, recuperando-nos do forte calor. Fizemos várias capturas no segundo dia com destaque para um Açu de 4kg, pego na isca de superfície da Lucky Craft gunfish na cor prateada. Isca trabalhada, rente a um tronco de árvore grande em meio a pauleira, ataque certeiro! Briga forte tentando levar para a pauleira porém com um pouco de força consegui segurar o peixe! Pose para a foto e peixe devolvido para a água.


Foto 12 – Exemplar de bom porte pego na isca de superfície.

As capturas eram mais frequentes na parte da manhã e no final da tarde. Em outras horas, passávamos sem ação até encontrar o peixe. Tivemos períodos de chuva quase todos os dias e a mudança da pressão atmosférica, algumas vezes, fazia com que o peixe parasse de comer. Mas foi durante uma chuva no terceiro dia que eu tive a felicidade de encontrar um grande Açu! Estávamos pescando em um braço do Igapó-Açu num pesqueiro que não tinha tanta estrutura porém estávamos tendo várias ações.


Foto 13 – Exemplar de tucunaré Açu com roupagem de paca.


Foto 14 – Bruno cm um bonito exemplar pego na isca de hélice.

O Bruno insistia com a isca de hélice e já tinha capturado vários bons exemplares. Eu, para descansar um pouco o braço, vinha trabalhando uma Gunfish da Lucky Craft amarela rajada. Quando a isca chegou na metade da distância entre o arremesso e o barco, a batida veio seca. Pela violência da batida, já sabia que era um peixe diferenciado e quando a linha começou a sair da carretilha freneticamente veio a confirmação! O piloteiro rapidamente afastou o barco e pude brigar com o peixe no aberto. Foi pura emoção, eu louco para ver a cara dele e com o receio que o mesmo escapasse (receio que sempre passa pela cabeça do pescador, quando fisga um bom troféu). Depois de uma boa briga, o peixe apareceu perto do barco e deu para ver seu tamanho. A adrenalina a mil, o peixe ainda teria força para a última arrancada. Mas foi o último suspiro de força até se entregar. Peixe embarcado e só felicidade na embarcação. Ainda com as pernas bambas registrei o momento na câmera antes de encostar na margem para soltá-lo. Isso é muito importante devido a quantidade de botos que acompanham o barco. Um exemplar cansado, se for solto longe do pesqueiro é alvo fácil para os espertos botos que ficam embaixo da embarcação esperando uma refeição farta. Presenciamos várias vezes os ataques à peixes menores fisgados.


Foto 15 – Troféu da pescaria pego durante a chuva.


Foto 16 – Tucunaré Açu de 8.5kg capturando durante a chuva.

Depois da captura do troféu, eu já estava com a pescaria ganha e sem a pressão de quebrar o meu recorde na primeira viagem a Amazônia. Nos próximos dias, continuamos com diversas capturas e no penúltimo dia de pescaria, encontrei outro peixe grande. Estávamos pescando na pauleira, olhei para o lado e tinha um tronco grande separado dos outros. O guia não hesitou e falou: - pode arremessar que ali tem um peixe grande. Eu estava com uma isca de meia água Coriso – Lucky moldes (isca presenteada pelo amigo Cezinha para todos os pescadores e muito produtiva para vários dos colegas), a arremessei paralelo ao tronco e vinha trabalhando, quando a isca ia passando pelo tronco, foi bote certeiro e a carretilha começou a tomar linha. No mesmo momento, o parceiro Bruno também engatou outro tucunaré. Fiquei impressionado com a tomada de linha na carretilha fechada e o bicho não parava de tomar linha. Como o lugar era cheio de estrutura, o peixe foi trançando a linha nos paus até que parou. Pensei ou fisguei um jacaré ou é um tucunaré, dos grandes. Fomos desenroscando a linha até chegarmos no final, infelizmente o peixe já não estava mais na isca. Isca desenroscada e escamas na garatéia para provar que era peixe mesmo. Nas palavras sábias do piloteiro, quando é para ser seu o peixe ele não escapa mas quando não é não tem o que fazer! Fiquei com vontade de ver a cara do animal, mas como lema de pescador o maior sempre escapa e ficou para uma próxima. Concluímos o sexto e último dia de pescaria, satisfeitos com nossa média diária de 30 peixes. No final, o grupo foi responsável por pegar 1154 peixes em 12 pescadores, uma média muito boa na Amazônia, com os dois maiores exemplares de 8.5kg e 9kg. No retorno, tivemos problemas com a lancha rápida e o grupo teve que ser divido em duas lanchas menores que não foram nada confortáveis para fazer o translado de volta à Borba. Os operadores deveriam tem uma lancha do mesmo padrão de backup para esse tipo de infortúnio. Foram dias espetaculares em companhia de bons amigos, fazendo o que mais gosto. Depois dessa primeira viagem fica o gostinho de querer voltar no próximo ano, quem sabe para conhecer na próxima vez os Açus do rio Negro. Gostaria de agradecer a meu sócio Cezar pela organização do grupo e por não medir esforços para que o grupo se sentisse bem mesmo com alguns problemas do operador. Também agradeço a toda a turma, pessoal de São Paulo, Rio Grande do Sul e o meu parceiro Bruno por mais essa aventura espetacular.


Foto 17 – Por do sol visto da cabana do acampamento, paradisíaco.

Equipamentos:
O Ideal é levar varas entre 5’6 a 6’0 de 20 a 25lbs com carretilhas de perfil baixo, a linha de ser multifilamento 50lbs apesar de alguns pescadores utilizar até 65lbs. Lider de fluorocarbo 60lbs do comprimento da vara é essencial para não ter a linha rompida na estrutura. Iscas de superfícies grande de hélice como as Rip Roller, Amazon Ripper, Woodchopper 6.5” são muito produtivas, além de zaras e poppers. Jigs não podem faltar como também iscas de meia água de 10cm.


Foto 18 – Tralha pegadeira, iscas de superfície e jig.

Quem leva: CobrasPesca – pesca@cobraspesca.com.br Fones (51) 30610014. 51 97355410

Grande abraço,



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