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Fishing Report

Um pouco da vida do Robalo

As espécies Centropomus parallelus (robalo peva) e Centropomus undecimalis (robalo flexa), certamente são algumas das mais conhecidas e também as mais capturadas pelos pescadores esportivos do Brasil.

O Centropomus parallelus apresenta uma distribuição geográfica tropical e subtropical pelo Continente Americano, que vai desde o Sul da Flórida, nos EUA, até o litoral Norte do Rio Grande do Sul no Brasil, (apesar das referências bibliográficas não confirmarem tal distribuição ao Sul) onde acredita-se que o fator limitante para tal seja a temperatura da água, (em torno de 15°C) uma vez que a espécie não tolera águas muito frias.

Seu hábito alimentar é carnívoro, alimentando-se basicamente de peixes e camarões na sua fase adulta, podendo predar também moluscos insetos e poliquetos. Quando juvenil, alimenta-se de pequenos crustáceos como misidáceos, isópodes, copépodes, anphípodas e cladóceros, larvas de peneídeos e carídeos. É claro que a espécie possui suas preferências alimentares como muitas outras, mas procura ser sempre oportunista em relação ao alimento disponível no ambiente em que se encontra.

Pelo fato de sua ampla distribuição geográfica, diferentes populações estudadas apresentaram ciclos reprodutivos distintos. Algumas apresentaram um período reprodutivo de sete meses, outras chegando até dez, mostrando uma atividade sexual bastante intensa. O repouso deste período reprodutivo se dá geralmente nos meses de inverno e o verão é com certeza o período mais favorável à reprodução.

No período que estão em repouso (inverno), sua alimentação e seu crescimento diminuem devido às baixas temperaturas que causam uma queda no metabolismo do peixe. Uma fêmea atinge sua maturação sexual em torno de 30 cm, diferente dos machos que atingem sua maturação quando estão em torno de 23 cm de comprimento. São raros os machos acima de 45 cm que parecem ter um desenvolvimento mais lento que as fêmeas. A proporção de ovos em relação ao peso das fêmeas fica em torno de um milhão de ovos para 1 kg de peso. Outro detalhe é de que, durante o período reprodutivo, ocorrem várias desovas pelo mesma fêmea, que é chamada de desova parcial. Um outro aspecto é que a espécie é anádroma, ou seja, são peixes de água salgada que costumam subir as cabeceiras dos rios para fazerem sua postura, considerados também eurialinos por suportarem as baixas salinidades.

Uma das características desta espécie de peixe que permite essa troca de ambiente, além é claro do aspecto adaptativo e evolutivo do animal, são células especializadas que eles possuem nas guelras, as chamadas células de "cloreto", que eliminam o cloreto por via celular, e o sódio de forma para celular na própria guelra, quando estão no mar, para justamente eliminar o excesso de sal do corpo. Já em água doce, predominam as células “epiteliais" que tem a função de captar sais e assim manter a homeostase(equilíbrio) da concentração de sal no corpo do animal.Tanto as células de cloreto como as epiteliais se localizam nas guelras e predominam de acordo com o ambiente em que o peixe se encontra, (água doce ou salgada). Como foi dito anteriormente, a temperatura da água pode tanto aumentar o metabolismo do peixe (digestão) como pode reduzi-lo. Em temperaturas abaixo de 14°C, os peixes não se alimentam. Isso não quer dizer que quanto mais alta a temperatura mais a espécie se alimenta. Temperaturas acima de 30°C fazem os peixes também diminuírem o consumo. A faixa ideal de alimentação fica em temperaturas entre 22°C e 30°C, sendo que entre 14°C e 18°C apresentam baixo consumo, e entre 18°C e 22°C alimentam-se de forma moderada.

Frequentemente, podemos encontrar a espécie em locais pouco oxigenados, uma vez que não apresentam grandes exigências com o seu comportamento calmo nas águas que podem chegar até 1 mg de oxigênio por litro, sem qualquer sinal de estresse, apesar deste valor estar próximo do seu limite de tolerância. Alguns parasitas costumam aparecer nestas espécies quando freqüentam águas salobras ou doces, mas acredita-se que eles morrem ao retornarem ao mar ou reduzem bastante.


Julio César Zemor
Graduando do Curso de Biologia Marinha e Costeira e Gestão Ambiental
Competidor Gaúcho e Sul Brasileiro de Pesca Esportiva



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